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Sombras raptadas

Formas sombriáticas ( não sei existe este termo ); Mas este é termo que elejo para descrever as fotos de Adriana Donato , em exposição em 2009 na La Photo (Travessa da Paz, 44), com a Curadoria de Dione Vieira Veiga. De acordo com com própria artista este trabalho “é conseqüência de um estudo de dois anos sobre a influência das sombras na arte. Após um primeiro ensaio, que resultou na exposição Sombras sobre o corpo, surgiu a idéia de estender esta pesquisa ao meio urbano, partindo do Mito da Caverna, de Platão, passando pelo mito do Desenho de Sombra, até os estudos de Leonardo Da Vinci e o inicio da fotografia. O Mito da Caverna, narrado por Platão no livro VII de A Republica...”

Como toda a sombra, o quase todas, são efêmeras, as sombras de Adriana se impõem de maneira quase que eterna. Na verdade a Adriana eterniza o efêmero com suas fotos; Ao olhar e sentir suas imagens se percebe uma convivência natural entre o que existe e o que passa existir com olhar. A imagem é a sombra em si. Um belo exercício para ver o que não vemos no cotidiano. Para olhares apressados, podem parecer apenas sombras intrometidas que surgiram em momentos inoportunos.

Mas as sombras, que existem em todos os recantos, que haja luz, também falam, expressam , denunciam e instigam o olhar para o claro e escuro, o que na verdade é feito o nosso imaginário. Somos também sombras de vivências e expectativas; Penso que nossas dores, e confortos , a beleza e feiúra da cidade e do existir é quando se alteram as sombras. Depende como estamos, de nosso ponto de vista , de nosso momento emocional ; as sombras também são belas, e belas parceiras para se estar junto. As sombras também são poesias visuais, basta que se traduza; O que Adriana fez com sensibilidade impar.

Penso, até em uma mitologia possível de devaneios e associação livre que a sombra poderia ser uma deusa antagônica a deusa Luz. A deusa Sombra esta sempre onde a Luz esta, ( vice e versa) se amam e se odeiam. Elas não sabem, mas na verdade são Deusas Siamesas, que não vivem independentes. Onde estiver à sombra deve haver luz, assim sendo, elas habitam todos os recantos do universo, mas apenas juntas. Adriana raptou as sombras da cidade; a cidade sempre terá sombras; Mas depois de vê-las e admira-las não tem como não sentir-se um pouco cúmplice deste rapto

Blog: jonespoa.blogspot.com/2009/sombras-raptadas